Entrevista Trabalhadores Pereira da Costa

Os trabalhadores da empresa de construção civil Pereira da Costa continuam em luta à porta da Empresa, após o último confronto com cerca de quinze capangas, dois dos quais foram detidos pela PSP, que os trabalhadores se viram obrigados a chamar. Os trabalhadores permanecem à porta das instalações de modo a impedirem que máquinas de trabalho e material informático sejam retirados com o intuito de serem reinstalados noutro local.

O trabalhador e delegado sindical Manuel da Silva Afonso referiu que a série de despedimentos, com suposta justa causa, foram recusados pelos tribunais devido a previdência cautelar interposta pelo Sindicato. Esta acção do Sindicato levou a que o Tribunal desse a ordem para que os trabalhadores fossem reintregados, estando neste momento os trabalhadores sujeitos a picar o ponto mas sem terem efectivamente trabalho, diz o patrão que não há obras.

Os trabalhadores que não foram despedidos foram convidados a trabalhar num outro local, Marinhais, sendo-lhes dado três meses de licença sem vencimento assinando por outro lado um contrato a termo certo com a nova empresa, que pertence a um familiar da Pereira da Costa.
 
As variadíssimas notas de culpa que foram apresentadas pela administração da empresa, na sua totalidade falsas e grosseiras, havendo acusações gravíssimas, desde roubo a insultos, inclusive a trabalhadores que se encontravam de férias ou baixa. Refere o delegado sindical e trabalhador que no seu caso foi acusado de ter dado um prejuízo de 67 000 € durante o mês de Agosto, mês em que o mesmo se encontrava de férias.
Também referido pelo delegado sindical foi o facto de, em 1982, a empresa então MB Pereira da Costa ter cerca de 2 000 empregados efectuando trabalhos com empresas públicas, EDP e PT, em que na altura não havendo mais empresas a prestar este tipo de serviços, o trabalho era constante, sendo na actualidade a situação bem diferente, já estando aprovados os projectos não existindo qualquer opinião por parte dos trabalhadores a cerca da melhor forma de abordar as obras em anúncio.

Também à conversa com António Feteira e José Graça Nunes, trabalhadores reintregados, foi claro o descontentamento e preocupação com toda esta situação.
Ordenados em atraso de Outubro e horas por pagar referentes ao mês de Setembro.

Continuam em luta graças à sempre presente acção do sindicato, referindo mesmo que sem a presença e acção deste esta luta já teria sido perdida e que muito provavelmente a empresa já estaria vazia e vendida com o objectivo da especulação imobiliária, estando naturalmente estes trabalhadores no desemprego.

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