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Enquanto houver estrada para andar a gente vai continuar

ng1236972A esta hora, 23h50, falta apenas apurar os resultados de duas freguesias. O candidato da Direita Marcelo Rebelo de Sousa (MRS), apoiado por PSD e CDS, ganha as eleições à primeira volta. O resultado obtido pela candidatura de Edgar Silva fica aquém do valor e dos objetivos que preconizava: assegurar como Presidente da República quem defenda, respeite e cumpra a Constituição, quer pelos direitos que consagra, quer pelo caminho que apontar de um outro rumo para a vida política nacional.

Agora, todas as afirmações proferidas durante a campanha por MRS, quanto ao respeito que assumirá face aos deveres constitucionais que incumbem ao Presidente da República, quanto à sua proclamada independência, ou quanto ao regular funcionamento das instituições, vão ter prova de vida.

Obviamente sou suspeita, mas por toda a campanha e trabalho realizado, Edgar Silva e a sua candidatura mereciam mais. Foi um resultado construído a pulso, num panorama mediático francamente desigual, de promoção e favorecimento de outras candidaturas.

Foi acertada a decisão do PCP intervir com uma voz própria e autónoma no debate sobre o papel e poderes exigidos ao Presidente da República. Pelo espaço e intervenção que ocupou na afirmação de um projeto de liberdade, democracia, justiça social, desenvolvimento e soberania. Fica sem sombra de dúvida, a corrente de mobilização que a candidatura de Edgar Silva suscitou: rompendo inconformismos e desalentos, dando confiança na construção de um país mais justo. Cada um desses votos terá tradução nas lutas que aí vêm, dos trabalhadores e do povo em defesa dos seus direitos.

“A vitória não nos descansa e a derrota não nos desanima” afirmou hoje Jerónimo de Sousa. O compromisso deste coletivo partidário, hoje como sempre, é o da defesa, reposição e conquista de direitos, nos salários e nas pensões, no emprego e no combate à precariedade, na saúde, na educação, na segurança social e na cultura, para apoiar tudo quanto de positivo possa ser alcançado e combater medidas e opções que se revelem negativas.

Jorge Palma escreveu que “Enquanto houver estrada para andar/ a gente vai continuar”.

E se faltar uma havemos de a construir!

Rita Rato, Visão, 25.01.2016

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