
Maria Lurdes Pinheiro, autarca da CDU, chama, prédio a prédio as pessoas pelo nome. Sabe a história de cada pessoa e cada edifício. “Aquele está fechado à espera de obras há quase 50 anos”. Mais à frente, “aqui havia uma mercearia
do bairro, o quarteirão todo foi comprado por um fundo de investimentos, está assim vazio há décadas”.
A zona de Alfama é símbolo de uma cidade que foi esvaziada dos seus habitantes populares, em prol de uma utilização intensiva da monocultura do turismo e da especulação imobiliária. A dona Manuela ainda tem a sua pequena mercearia aberta, está num prédio propriedade da CML, devido à luta dos eleitos da CDU para que a mercearia despejada de um prédio comprado por um fundo abutre, tivesse um outro local.
“Vivemos tempos tristes, nem sequer podemos ver as marchas com os nossos jovens”, comenta a comerciante.
Até os participantes das marchas são o retrato da situação da expulsão dos habitantes do bairro. “Grande parte dos marchantes já cá não vive. Os mais novos não conseguiram arranjar casa aqui e muitos dos mais velhos foram expulsos”, conta a autarca da CDU na freguesia, Maria Lurdes Pinheiro, que foi presidente da extinta Junta de Freguesia de Santo Estêvão e é presidente da Associação do Património e População de Alfama, uma das associações mais activas na defesa dos direitos da população de Alfama.
“Todas as semanas distribuímos comida para mais de 40 pessoas, a pandemia agravou muito a pobreza na freguesia”, conta Lurdes Pinheiro.
Rua a rua, casa a casa, os eleitos da CDU vão prestando contas, no documento que distribuem relatam-se os maiores problemas com que se bate a população de Santa Maria Maior: “A CDU valoriza a luta das populações da freguesia pela construção de habitação nos bairros, como no Largo de São Miguel, contra as alterações urbanísticas que prejudicam moradores e a vivência colectiva, como a transformação do Palácio de Santa Helena em condomínio de luxo, e em defesa do espaço público, como a luta contra a privatização do Martim Moniz. Ouvindo a população e conhecendo os seus anseios, os eleitos da CDU denunciaram políticas erradas, exigiram respostas e apresentaram propostas”.